Imagem, Papel e Fúria

Ary Fagundes, você conhece?

Eu e minhas perguntas intermináveis!!! Pois é, lendo “Uma introdução à história do design”, de Rafael Cardoso, me fiz essa pergunta. Quem é Ary Fagundes? Afinal no texto dizia que:

“As obras de Fagundes refletem bem as tendências modernas da época, sem se encaixarem no paradigma modernista. Nesse sentido, o seu trabalho remete aos esforços de alguns dos grandes nomes do design de cartazes internacional como A. M. Cassandre, E. McKnight Kauffer e Jean Carlu”. (CARDOSO, 2004, p. 128)

Iniciando uma busca por imagens de seu trabalho, percebi que não seria fácil, por que não se sabe quem é Ary Fagundes, nem no Google (rs). E como encontrar referencias? Foi quando achei o texto de Licia Rubinstein para o 8° P&D e para minha supresa o artigo nasceu da mesma indagação (ou indignação).

Enfim, sempre se fala do design brasileiro e sua herança devido a fundação da ESDI, em 1962, no Rio de Janeiro, e as influencias de Alexandre Wollner e Aloisio Maganhães, mas Ary Fagundes já trabalhava, com seus cartazes inspirados na Art Decó, na decada de 1930, tendo sua obra reconhecimento internacional, sendo matéria para revistas européias da época.

“Ary Fagundes nasceu em 20 de julho de 1910 no Rio de Janeiro, cidade em que viveu até falecer, em 4 de maio de 1992. Formou-se em Arquitetura em 1934, mas desde 1930 já trabalhava como designer gráfico no Ministério da Fazenda, tendo exercido esta função até 1964, quando se aposentou. Entre 1966 e 67 foi Diretor de Arte da Editora Bloch. Em 1973 passou a criar selos para os Correios e mais tarde trabalhou na Casa da Moeda. Durante todo esse período prestou serviços a diversas outras empresas, fazendo rótulos de embalagens, capas de revistas, logomarcas, gráficos estatísticos e muitos cartazes. Recebeu mais de sessenta prêmios por seus trabalhos e participou de diversos concursos públicos para todo tipo de material gráfico, sendo vencedor em muitos deles. Em 1956, ganhou uma viagem aos Estados Unidos, como prêmio pelo primeiro lugar em um concurso de cartaz para o dia das mães. Esta foi sua única viagem ao exterior, mas seus trabalhos participaram de exposições coletivas de cartazes em Veneza, Londres, Madrid, Porto, Barcelona, Roma, Paris, Varsóvia e Brno”. (RUBINSTEIN, 2008)

Mesmo buscando outras fontes de informação (rápidas, concordo) apenas se encontra o seu nome relacionado aos designers brasileiros esquecidos. E uma pena que a falta de referencias sobre esse importante artista e representante do design brasilero tenha sido esquecido desta forma. Mesmo imagens sobre suas obras mais populares, como os selos se perdem por não haver mais uma preocupação com a filatelia, como a alguns anos.

Acima imagens de selo postal (1974) e de uma capa de disco (de vinil, de 1958) com um estilo próprio de seu trabalho e um cartaz (abaixo) sobre o Recenciamento de 1940.

Cartaz de 1940

Assim como Ary Fagundes, outros nomes do design brasileiro estão se perdendo por não termos uma memória cultural e artística disseminada. O trabalho de Rafael Cardoso em registrar a história do design em livro é muito importante, mas não podemos esquecer que temos, também,  o compromisso em manter esta história viva. São referencias para que nós possamos entender o que é feito hoje e como podemos interferir de maneira criativa para que a convergência futura de midias possa ser rica nos seus aspectos visuais. E quem sabe a tão falada identidade nacional não começa a ser iniciada, realmente.

Referencias:

Textos:

CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgard Blücher, 2004

RUBINSTEIN, Licia. Moderno, mas não modernista: Ary Fagundes e o cartaz como veículo de comunicação de massa. 8° P&D. São Paulo, 2008. Disponível em <http://www.modavestuario.com/96modernomasnaomodrenistaaryfagundeseocartascomoveiculodecomunicacaoemmassa.pdf>.

Google:

Sobre Ary Fagundes: http://www.google.com.br/search?q=capas+ary+fagundes&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:en-US:official&client=firefox-a

Capas de discos: http://www.google.com.br/search?ndsp=18&hl=pt-BR&client=firefox-a&rls=org.mozilla:en-US:official&q=%22Ary+Fagundes%22&start=20&sa=N

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2 Comentários

    Este texto de Licia Rubinstein faz parte de sua tese de mestrado “O censo vai contar para você: design gráfico e propaganda política no Estado Novo”.

    Realmente muito importante pesquisarmos sobre nossos designers antes do design parafraseando o livro de organizado por Rafael Cardoso.

  • Oi Marcio!
    É isso mesmo, ainda temos muito o que descobrir sobre a história do design brasileiro. Infelizmente muitos desses impressos, efêmeros por natureza, se perderam, mas ainda existe bastante material para ser estudado.
    Como foi dito no comentário do Jarbas, esse artigo foi retirado de minha dissertação, a qual foi orientada pelo Rafael Cardoso.
    Um abraço, Licia

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